sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A partir do seminário de 6-11/9 na FCSH

Aqui está um esboço de balanço do mini-curso:


Sessão 1: A regra é “o rei manda”
O rei do jogo não é importante – é apenas a pessoa que distribui jogo nessa jogada. Podíamos, em grupo, ir alternando quem era o rei, e os outros teriam de obedecer ao seu “capricho” (desde que tenha a ver com a matéria, claro!)
Estamos a falar de ginástica, harpejos. Fazer exercício activa músculos. Não fará de mim um Schwarzennegger (nem governador da Califórnia) mas ficarei em menos má forma do que antes.
1. Exercício 1: Escrever com a mão esquerda: o acontecimento mais importante de ontem (15’)
2. Teoria: fizemos uma coisa que nunca tínhamos feito: usar a mão esquerda! E no entanto ela sempre esteve aqui. Tantos anos que a tivemos ao nosso lado – temos duas mãos – e não a usámos. E no entanto a mão é uma das partes do corpo que mais ligadas estão à inteligência do mundo. Com a mão: acariciamos, agarramos, agredimos. Com a mão escrevemos. Já fizemos uma coisa nova!
3. Está cá – tudo do que precisamos está cá – nós é que não notamos.
4. Molde: Esta é a história de ….. que quer (mais que tudo) …. Mas não pode [por causa de …..]
5. Exercício 2: tornar, usando esta matriz, a nossa história numa história épica. Em três blocos de uma, duas frases – como molas a segurarem a roupa numa corda.
6. Exercício 3: passar por estes 9 pontos com 4 segmentos de recta sem levantar a caneta.

Sessão 2: O constrangimento é a chave para a liberdade
Conhecer os limites que me limitam é mais útil do que iludir-me pensando que não existem. “Conhece-te a ti próprio”… e seremos, não livres, mas menos prisioneiros dos nossos vícios e tiques.
1. Exercício 1: Balões para foto (Jornal Metro: casal Cameron)
2. Teoria: numa relação de grupo (+ de 2) há comunicação. Cada parte é parcialmente responsável pela boa comunicação. Co-responsável Eu tenho, dentro do razoável, que participar no acto. Comunicação a menos e serei um “poeta hermético”; desejo de comunicação a mais e estarei ao colo do leitor, ou ele ao meu colo. Enfim, opções.
3. Exemplo a partir de história de colega: como “encher” o texto e melhorá-lo (em que rua? Andar? Quarto? Gaveta? Etc.)
4. Exercício 2: tentar escrever a frase mais imaginativa e criativa que consiga.
5. Teoria: com tal instrução, o exercício estava condenado ao falhanço. Tentar ser criativo é como tentar estar calmo. Só piora.
6. Exercício 3: Pensar em história para contar
7. Exercício 4: Contá-la sem a vogal e
8. Teoria: a dificuldade vai forçar-nos a encontrar alternativas. Não para sermos “imaginativos”, mas porque não temos outro remédio. E treinamos o dicionário interior.
9. Exercício 5: S+ 7
10. Exercício 6: cinco palavras para Portugal hoje. Cinco entradas para “um dicionário/mapa do país
11. Exercício 7: lembrar-me dos últimos minutos do dia de ontem. Atenção aos pormenores.
12. Ao dizermos "foi um dia igual aos outros" estamos a apagar momentos únicos. A culpa é nossa!


Sessão 3: A autobiografia como instrumento
Tudo é experiência que eu tive. Tudo parte disso.
Esta foi a aula mais teórico-prática. Os exercícios ilustraram as questões colocadas, não o contrário.
1. O anagrama – o belo casamento (método: recortando as letras é mais fácil que com a caneta. Temos o direito de escolher a melhor técnica; não é batota, apenas sentido prático.
2. A ponte: atravessamo-la num sentido, mas é construída a partir de ambas as pontas.
3. Teoria: tamanho é importante. Temos de ter a noção de para onde queremos ir e de que texto queremos fazer. Depois poderemos ser surpreendidos.
4. O fio de Ariadne: O que dá sentido ao labirinto? Um fio condutor.
5. Primeiro acto, segundo acto, terceiro acto. Ir de A a C passando por B.
6. Se estou a escrever um policial, talvez deva começar pelo fim: pelo crime. E depois caminhar para trás. Pensar como o criminoso cometeu o crime, como o detective chegou lá.
7. Contar uma história em cinco/seis quadras alentejanas.
8. Exercício de memória: um rosto vinte anos mais velho, vinte anos mais novo.
9. Teoria: memória é imaginação. Melhoremos a memória e melhoraremos a imaginação.

Sessão 4: O retrato
1. Exercício 1: desenhar o retrato de duas pessoas. Entre outras coisas, posso concluir que: a) a caricatura tende a ser “mais parecida” que o retrato fiel; b) como não sei desenhar, posso copiar à vontade. Às vezes sou mais imaginativo quando não tento ser imaginativo. E o que conta é o resultado. O retrato afinal era auto-retrato.
2. O mito: todas as narrativas vão dar a um punhado de matrizes.
3. A história tem de ser verosímil, a realidade não é obrigada a isso.
4. Exercício 2: trocar as entradas do dicionário com o colega.
5. Comentar os exercícios com as quadras. Quem começou fez o que quis (dentro do molde formal), os outros tiveram de se adaptar.
6. O salto do génio: disfarçar os pequenos passinhos.
7. As coisas acontecem a todos; mas reagimos consoante o nosso carácter. (A tradição americana acredita que o carácter decide o que lhe acontece).

Sessão 5: cânone e compaixão
1. Calvino, As cidades invisíveis, Joyce, Ulisses: ambos usam modelos simples, para os subverter.
2. Exercício 1: preencher balões numa página de BD (dinâmica, seis quadrados).
3. Prova superada! Em apenas cinco dias, todos conseguimos "adequar" de forma feliz, um fio de Ariadne a um labirinto pré-determinado. E duas ou três eram bem publicáveis.
4. Exercício 2: provérbios combinados. A partir da aplicação de "zero imaginação", um resultado por vezes bem surpreendente.
5. Li Wei: "Quando escrevo, a cabeça segue a caneta; quando reescrevo, a caneta segue a cabeça." Dois movimentos separados: fazer e analisar.
6. A cabeça "paranóica": ver grávidas por toda a cidade.
7. Em grupos de dois, discutir projectos. Eu sou o teu editor, tu o meu.
8. Greimas: sujeito, objecto, adjuvante, oponente.
9. Exercício 3: improviso oral - na repartição.
10. Teoria: os princípios do diálogo e do conflito.
11. Os díspares que dão disparates com sentido.

Sessão 6: Conto e mandamentos
1. Qual o poder do editor? É um conselheiro do rei, não o rei. Ajuda o texto a ficar melhor.
- Só se imagina o que se conhece. Só se conhece o que se imagina.
- Se me afasto da minha fonte de energia, perco forças. (Os escritores e as suas obsessões, o seu maná).
- O burocrata finge que trabalha; o artista finge que não trabalha. E, para ambos, o sucesso depende de os outros acreditarem.
- A técnica ajuda-nos, porque é a parte do acto criativo que podemos "controlar". A inspiração existe, mas não pode ser convocada, só vem quando lhe apetece.
- Compreender a paixão do outro, fazer a terceiros sentir a paixão nossa e do outro.

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